TESES

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Teses do Partido Humanista-(08/09/1985)
 
As seguintes teses expostas para aprovação perante o Primeiro Congresso do Partido Humanista ,constituem as bases mais amplas sobre as quais há de se montar o corpo sistemático de idéias ,ao qual antecipadamente chamaremos “Doutrina Humanista”.
 
As teses não partem de uma “idéia”ou de uma crença da realidade .Partem da análise da vida humana  enquanto existencia ,quer dizer,particularidade concreta.
 
Esse começo , que é a direção inicial de todas nossas teses não impede  que se possa chegar a um sistema muito amplo de compreensão ,tal como acontece com aquelas ciencias que não partem de axiomas.
 
Do ponto de vista lógico,defendemos a metodologia da análise existencial e a colocamos contra toda lógica anterior que pretenda passar por inferencia do geral ao particular, já que se não se tem  dados do particular  não se pode enunciar universais que o comprendam.
 
Retomamos nesse ponto ,a interpretação das proposições categóricas feitas por Brentano ,já em 1874,segundo a qual as proposições particulares têm caráter existencial ,enquanto que as universais são sómente sua negação.
 
Desqualificamos pois ,a lógica aristotélica e seus derivados (incluida a dialética  de Hegel e a contemporanea de Lukasiewicz) nesse ponto preciso, e damos a esta discussão especial relevancia por suas enormes consequencias teóricas e práticas.
 
TESE 1-A existencia Humana se dá no mundo.Nele começa,se desenvolve e se conclui.Portanto ,não se pode supor uma direção,uma razão,ou um sentido prévio (à existencia) ,sem contradizer o anterior.
 
TESE1.1-A existencia humana começa com o nascimento ,com abertura da intencionalidade para o mundo,como primeiro passo de liberdade do condicionamento natural.Neste sentido,antes do nascimento ,não se pode falar a rigor de “existencia humana”.
 
TESE 2-Entendemos por “mundo”,a tudo aquilo diferente do próprio corpo .No entanto ,o existente considera a seu corpo como parte do mundo.Corpo e mundo são o dado,o fático,o natural.
TESE 2.1- A natureza não tem intenções próprias.Nem o corpo nem o mundo possuem consciencia separada.Atribuir uma finalidade à natureza pode ser um artifício de compreensão,mas não se deriva legitimamente desta proposta.
TESE 2.2-Não obstante,o mundo em que se nasce é também um mundo social ,constituido por intenções humanas.
TESE 2.3-Só tem intenção a sociabilidade do mundo.O natural suscetível de ser intencionado ,”humanizado”.Por certo que o social é agente e paciente de humanização ,de sentido.
TESE 2.4-A existencia humana está aberta ao mundo e nele opera intencionadamente.Inclusive,pode nega-lo radicalmente através do suicidio e da destruição.A existencia pode niilizar o mundo(e ,portanto ao corpo,a natureza e/ou sociedade)ou humanizar o mundo.
TESE 2.5-Por conseguinte ,a existencia humana é liberdade enquanto afirmação ou negaçào do mundo.A intencionalidade humana permite afirmar ou negar condições e,portanto,não ser simples “reflexo”delas.
 
TESE 3-O social é historicidade .Deste modo,o ser humano é história pessoal e social e não “natureza”humana .A natureza afeta o corpo humano e não à intencionalidade,que é o que define o humano.
TESE 3.1-É a partir da liberdade que o ser humano elege aceitar ou negar as condições sociais em que nasce,desenvolve-se e morre.Ninguém pode existir sem se confrontar com as condições sociais em que vive,e ninguém pode deixar de eleger entre elas.A não eleição entre condições é também eleição.Os resultados da eleiçào não confirmam nem invalidam tal fato.
TESE 3.2- Na confrontaçào com as condições sociais ,surge a noção de historicidade,que se compreende como precedendo e sucedendo à própria existencia.Assim,a atividade social é continuo julgamento da história e é compromisso até o futuro além da morte pessoal.
TESE 3.3-A existencia humana se desenvolve entre contradições que põem no social e no pessoal as condições históricas.
TESE 3.4-A contradição tem seu correlato pessoal no registro do sofrimento.Por isto,perante condições sociais de contradição ,o ser humano individual identifica seu sofrimento com o de conjuntos submetidos às mesmas condições
 
TESE 4-A contradição social é produto da violencia.A apropriaçào do todo social por uma parte do mesmo é violencia essa violencia está na base da contradição e sofrimento.A violencia se manifesta como despojo da intencionalidade do outro(e,por certo,de sua liberdade)como açào de submergir o ser humano,os conjuntos humanos,no mundo da natureza.
TESE 4.1- As distintas formas de violencia(fisica,economica,racial,religiosa)são expressão da negação do humano no outro.
 
TESE 5- No campo das relações inter pessoais ,a coisificação do outro,a negaçào (ou apropriação)de todos ou alguns aspectos de sua intencionalidade,é fator de sofrimento.Em todos os casos há opressores e oprimidos,discriminadores e discriminados.
TESE 5.1-O sofrimento social e pessoal deve ser superado pela modificação dos fatores de apropriaçào ilegal e violenta que tem instalado a contradiçào no mundo.Esta luta pela superaçào do sofrimento dá continuidade ao processo histórico e ao sentido do ser humano,já que afirma sua intencionalidade negada por outros.
 
TESE 6-A luta pela humanização do mundo (natural e social) avoluma-se e desenvolve-se em seus resultados como progresso .Porém,o fato de as sociedades não se encontrarem em um mesmo esquema e processo de desenvolvimento ,mas em vias diferentes de progresso ,faz com que as condições de liberação estejam sempre à mão e não em um longínquo futuro no qual se dão supostas “condições objetivas”.
 
TESE 7-Finalmente ,a morte parece impor sua naturalidade à intencionalidade do ser humano e com sua fatalidade,por agora ineludível,aparenta destruir todo futuro e toda liberdade.É a rebelião frente a este fato definitivo e frente à enfermidade,a desigualdade e a injustiça o que dá coerencia à vida humana.Não há necessidade lógica alguma ,dentro destas afirmações,que obrigue o ser humano a aceitar o triunfo do absurdo do natural sobre a intencionalidade e a liberdade.